quarta-feira, 23 de março de 2011

Eu sou mesmo assim


Eu sou mesmo assim. Com meus olhos um cadinho puxados, meus longos cabelos enegrecidos com ponta clareadas por uma tinta qualquer vermelha que nunca fixa totalmente.
Eu sou mesmo assim. Com meu rosto sempre enquadrado por um óculos retangular de grau, com lábios pequenos como de bonecas graças aos olhares de uma mãe gestante.
Eu sou mesmo assim. Com meu sorriso, vez ou outra, debruçado em gargalhada bruxesca e escandalosa; com meu olhar quase sempre indagador.
Eu sou mesmo assim. Com minha face amarela quase nunca pintada por pó de rosto ou base, mas com algumas presenças de lápis, rímel e de vez em nunca, sombra.
Eu sou mesmo assim. Com meus pequenos brincos prateados - por odiar os amarelos, ou com meus enormes brincos de penas e também os artesanais.
Eu sou mesmo assim. Com meus longos vestidos e saias indianos e/ou hippies, sempre com minhas percatinhas sem salto, pois não tenho problema em ser baixinha.
Eu sou mesmo assim. Com um copo ou uma garrafa de vinho sempre por perto, ou degustando drink's à base de sorvete e coberturas, como uma quase criança.
Eu sou mesmo assim. Quando ouço músicas relaxantes como Enya, Loreena McKennitt e mantras Hindus; ou quando preciso de um som como Slipknot, Korn e Lacuna Coil; quando preciso rir e descontrair com Wander Wildner, Matanza e Seminovos, ou ainda quando necessito da dor que Los Hermanos, Legião Urbana e O Teatro Mágico me causam.
Eu sou mesmo assim. Aprendendo a ter novos gostos ou novas dores, quando ouço Oswaldo Montenegro, Chico Buarque, Madredeus, Shamam ou Within Temptation, que cortam minha alma de lembranças dolorosas, de tempos difíceis.
Eu sou mesmo assim. Com minhas unhas pintadas de vermelho, preto ou roxo (depois de muita preguiça minha) com algumas rasuras nos dedos porque odeio salões de beleza e derivados.
Eu sou mesmo assim. Com minha mania de pegar sapinhos e lagartixinhas e ficar acariciando, ou quando danço “um pouco” bêbada com meus gatinhos.
Eu sou mesmo assim. Com as manchas roxas que saem em meu corpo por emoções fortes ou pelo meu extremo desastramento e que nunca lembro onde bati.
Eu sou mesmo assim. Com meu olhar observador da natureza que me cerca. Da lua que nasce, do sol que se põe, dos galhos das árvores que se assemelham à braços humanos.
Eu sou mesmo assim. Com minha necessidade masoquista de sentir dor e de tentar exorcizá-la de mim através das palavras, que desde minha infância me seguem e perseguem.
Eu sou mesmo assim.


Flor de Lótus
17/01/11
Sempre há o amanhã


Sempre o amanhã escorrendo pelos dedos
Mais situações que inexistem -
Com a crença interior que, ainda assim, procria.

Desconhece-se de onde as forças se originam
Contudo, sempre há o amanhã -
Jogando-nos como um jogo
Na solitária estrada da vida.

E não sabemos como ou para onde seguir
Ainda assim sempre há o amanhã -
Para nos dar a luz no fim do túnel.

A esperança eterna, incompreensível
Mas existente e confirmada -
Do dia de amanhã.


Flor de Lótus
2008
100 livros para serem lidos antes da morte:

Aqui está um pouco dos livros que mais gostei - e quem sabe dos que acho que gostarei e ainda não tive oportunidade ou tempo de ler. Ainda não sei se colocarei os que ainda não li,mas por via das dúvidas, darei um jeito de identificar os lidos e não-lidos (caso os coloque). Alguns livros certamente pertencerão a uma saga, então, então, não há como individualizá-los. Há alguns livro lidos por mim no passado, cujos infelizmente, tenho pouca lembrança do seu conteúdo, esses provavelmente só poderei citar (ou não) depois de re-lê-los (ou não também). Há também os escritores que possuem vasta obra bibliográfica, e todas, sem exceção, parecem necessárias, onde selecionar apenas um é bastante sofrido. Indico que as pessoas que porventura lerem essa listam busquem maiores informações sobre outras obras dos autores citados. Ah, a lista ainda não está completa ;)


1 - Feliz ano velho – Marcelo Rubens Paiva;
2 - Eu, Christiane F., 13 anos drogada e protituída... - Kai Hermann e Horst Rieck (colheram os depoimentos);
3 - O historiador - Elizabeth Kostova;
4 - Drácula - Bram Stocker;
5 - O retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde;
6 - A arte de amar - Ovídio;
7 - Kama Sutra - Vatsyayana;
8 - Trópico de câncer - Henry Miller;
9 - O Hobbit - J. R. R. Tolkien;
10 - O dia do curinga - Jostein Gaarder;
11 - O ladrão de corpos - Anne Rice;
12 - Guia do mochileiro das galáxias (5 livros)  - Douglas Adans; 
13 - O Senhor dos Anéis (Trilogia) - J. R. R. Tolkien;
14 - Harry Potter (7 livros) - J. R. R. Tolkien;
15 - Budapeste - Chico Buarque;
16 - A casa dos budas ditosos - João Ubaldo Ribeiro;
17 - A normalista - Adolfo Caminha;
18 - Memórias póstumas de Brás Cubas - Machado de Assis;
19 - Os sofrimentos do jovem Werther - Goethe;
20 - O diário de Anne Frank - Anne Frank;
21 - O morro dos ventos uivantes - Emily Brontë;
22 - Delta de vênus - Anaïs Nin;
23 - o banquete - Platão;
24 - o evangelho segundo Jesus Cristo - José Saramago;
25 - Submarino - Joe Dunthorne;
26 - As brumas de Avalon (4 livros) - Marion Zimmer Bradley;
27 - As flores do mal - Baudelaire;
28 - da magia a sedução - Alice Hoffmann;
29 - Stardust - Neil Gaiman e Charles Vess;
30 - Renato Russo: o trovador solitário - Arthur Dapieve;
31 - As vantagens de ser invisível - Stephen Chbosky;
32 - Fahrenheit 451 - Ray Bradbury;



(...)

Uma nova parte de mim


Bem, tudo começo quando eu estava fazendo uma inspeção nos livros literários da Biblioteca do SESC, claro, estava rastreando toda sua coleção de Literatura Erótica, cujo muito me interessa, e observando outras questões, quando deparei-me com o livro A História sem fim. Exatamente, daquele filme lindo da infância de muitos na década de 90, cujo um dos personagens era um indígenozinho, chamado Artreio, se não me engano, cuja minha pessoa era apaixonadinha por ele.

Fiquei emocionada com a beleza do livro. Primeiramente suas folhas são amareladas, dando a impressão de antigas – na verdade o livro já deve estar lá a algum tempo -, não lembrei-me de observar a data de edição ou de classificação na Biblioteca. Na sequência destaca-se pela duplicidade nas cores das letras – adoro livros cuja fonte é diferente da comum Times New Roman, e que possuem letras coloridas, diferente da comum preta - em vermelha e verde. Como se não bastasse esses dois fatos, ainda possui desenhos, em cada capítulo.

Você deve se perguntar: ficou emocionada com isso? Pois bem, cada um com seu ponto fraco, um dos meus são livros, literatura e toda a gama de ânimo, fantasia e desenvolvimento intelectual que estes podem causar em um dado indivíduo. Adoro livros, sempre os adorei, desde meus primeiros aninhos de vida. Trata-se de um caso de amor, uma atração infinda, uma volúpia, um prazer. E agora, mais que isso, também uma profissão, algo que escolhi e abarquei como parte de mim, de minha personalidade e decisões.

Estou em fase de TCC, época em que todas as disciplinas se findaram, todos os trabalhos, dores de cabeça, cansaço excessivo, provas e o conjunto de ações que permeiam o ambiente Universidade. Nessa época você recorda de tudo, desde o início, e pensa: “Já cheguei aqui? Nossa”. É a hora em que rever tudo é identificar-se, ou não, com a escolha que fez, afinal, sua profissão faz parte de você, do que você é, ela também lhe identifica. É bom saber que fiz realmente a escolha certa, que eu não estava enganada sobre o que sou, o que quero.

Como já havia dito antes, leitura e literatura sempre foram meus fortes, sempre me foram assuntos de interesse, desde criança. Sempre li muito, tinha tanto interesse e aprendi tão rápido, que na alfabetização ensinava a meus coleguinhas de sala de aula, o que me rendeu ser passada de ano antes do seu término. Fiz minha formatura do ABC, estando já formada na Primeira Série do nível elementar. Como toda criança – ao menos creio que na época – lia muito gibi também.

Na sequência de minha vida escolar comecei a perceber o gosto pela literatura e livros, e quando era chegada a hora da decisão, apesar disso escolhi outra profissão: psicologia, a qual cursei meu primeiro vestibular, e não passei – graças aos Deuses do Olimpo. Gosto muito da psicologia, mas certamente haveria uma lacuna, que não sinto agora. Pensei em Letras, mas ensinar não era exatamente meu desejo.

Finalmente e casualmente fiquei sabendo através de uma dessas revistinhas vazias sobre o curso de Biblioteconomia, procurei maiores informações e me decidi por ele mesmo. Na terceira tentativa eu passei e, pra melhorar minha felicidade, em primeiro lugar. Não que isso acadêmicamente faça diferença alguma – fora você logo ficar conhecida -, de forma alguma me considero a melhor discente da turma, mas isso pessoalmente dá uma auto-estima, e é bom ter isso à favor nos momentos de queda, dúvidas, incertezas sobre si e sua real capacidade.

Finalmente eu passei por esses quatro anos, e é muito bom chegar ao final dele e estar certa da minha escolha. Tenho planos, desejos, visualizo um futuro na minha profissão. A cada dia descubro mais minhas aptidões, aquilo que me dá prazer em fazer, que alio felicidade e auxílio aos outros também, acredito que “um país se faz com homens e livros”, como disse Monteiro Lobato.

Não sei se poderia conceituar como sonhos, pois conversava certa vez com um amigo, no velho RU, tomando aquela velha sopa – da qual sinto até saudade -, e ele perguntou-me se eu tinha algum sonho, classificando tal, como algo “quase impossível” de alcançar, e eu lhe respondi que não, que tinha desejos, coisas que teria dificuldade de conseguir, mas não exatamente sonhos, ou algo tão difícil. Em contrapartida, ele afirmou que não se pode viver sem sonhos, mas definir o que se trata de um e outro, pode não ser tão fácil. Essa questão sonho-desejo merece mais afinco e profundidade, então, o assunto parou por aí.

Hoje, exatamente o dia de hoje, tive pensamentos, fiz planos, visualizei situações, que espero alcançar. Independente de defini-los como sonho ou desejo, espero que meus desejos-sonhos sejam mais que isso num futuro próximo. Espero que deixem de ser futuro e passem a ser presente.


Flor de Lótus
18/03/11

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011


Incolável


Ás vezes o que pode ser demasiado para uns
é nada mais que migalhas para outrem
Tratando-se então de um quebra-cabeças mal formado
cheio de falhas e rachaduras
jamais coláveis novamente.

Infelizmente a dor é mais real que a alegria.
Sua duração e sensação de presente
são anos-luz mais vívidos no corpo
E o tempo não apaga
ele só permite a “aceitação”.

O medo antecipa-se às ações
que podem nunca mais se repetir
mas estarão sempre ali
A permanência do sentimento é infindo
assim como a lembrança dos fatos.


Flor de Lótus
05/01/11

domingo, 9 de janeiro de 2011


O reencontro

 Fim

 Depois dessa afirmação ambos deram gargalhadas e começaram a lembrar dos detalhes, de forma que a tensão que se instalava ali foi se dissipando, mas quando o clima estava quase fácil de sobreviver, a música em questão tocou no rádio. Ou os Deuses estavam brincando com o poder de resistência deles ou isso definitivamente era um sinal. Será que, parafraseando Paulo Coelho, o universo conspirava ao favor deles? Não pode mais haver racionalidade e eles foram atraídos um para o corpo do outro, mecanicamente.
 Finalmente os íons de cargas opostas que havia neles foram enfim aproximados, e seus corpos reconheceram-se, suas almas tornaram-se novamente as de anos atrás. Sentiram-se assim, tocaram-se assim, amaram-se assim. As mãos de Nicole sentiam o calor das costas de Heitor e deslizavam suavemente entre suas costas e sua nuca, enquanto as dele apertavam fortemente sua cintura, enquanto sua boca aproximava-se do seu pescoço e ele inalava o cheiro dos cabelos de Nicole. Outra certeza de inalteração: o cheiro do corpo de Heitor, continuava o mesmo, inesquecível.
 Tudo que haviam vivido após aquela época foi esquecido, não haviam mais pessoas, não haviam mais experiências, apenas eles e o que desejavam fazer, sem nada para impedi-los. Beijaram-se incontrolavelmente e Nicole pode sentir novamente o doce sabor vinícula dos lábios e língua de Heitor. O mesmo corpo, o mesmo cheiro, o mesmo beijo. Durante a dança logo foram transportados para a atmosfera adolescente que os envolvera anos antes, suas almas possuíam o mesmo amor e inocência.
 - Que bom sentir você de novo Heitor. Te amo tanto. Desculpa nunca ter falado.
 - Também te amo. Quero você, que saudade.
 A partir da dança de hoje, Heitor e Nicole não foram mais os mesmos. Suas peças de roupas foram sendo retiradas docemente e no sofá eles se amaram, como jamais, antes ou depois daquela noite vernal de sexta-feira. Os corpos que ali se encontraram e encaixaram já se pertenciam animicamente e precisavam terminar o que antes haviam iniciado, precisavam do prazer total, do ápice da volúpia. Ali eles adormeceram: entre mãos, braços e pernas entrelaçados.
 Certa hora da madrugada Nicole acordou Heitor, sua namorada havia telefonado e ele não acordara, ela devia estar preocupada e ele tinha de voltar para casa, para ela. Ele tomou banho pois não podia chegar em casa com o seu cheiro, mas desejava permanecê-lo em sua pele. Antes de Heitor partir Nicole disse que dormiria com seu odor no corpo, que sonharia com cada movimento, cada sensação, cada gemido. E despediram-se com um abraço profundo e duradouro.
 Nicole voltara para o computador, com toda inspiração renovada para terminar seu conto, ela sabia então cada palavra que ali redigiria. Depois de terminado postou-o em seu blog. Alguns minutos após ela recebeu um e-mail de Heitor, cujo ela abriu ansiosamente.

Essa foi umas das melhores noites da minha vida, e tenho certeza que palavras não a descreveria da mesma forma que eu a sinto. Amar você certamente foi a coisa mais linda que eu fiz na vida. Você está marcada em mim, tal qual a tatuagem que fizestes e que representa aquilo que um dia fomos. Jamais esquecerei a você ou a essa noite. Independente do seu cheiro ter aparentemente saído de meu corpo, eu o guardarei docemente em minha mente. Não precisa responder ao e-mail, sei que você sabe o porquê. Beijos e uma ótima noite.”

Heitor

P.S.: Acabo de ler o conto, ficou perfeito. Assim como você.


Flor de Lótus

O reencontro

Meio

 Com medo de que sua impetuosidade ígnea fosse mais forte que seu raciocínio lógico, ela preferiu continuar a conversa com Heitor de uma distância relativamente segura. Enquanto ele continuava no sofá, ela sentou-se na janela que ficava de fronte ao canteiro de rosas e lírios, que exalavam um perfume enfeitiçador. Pouco tempo depois, quando as taças estavam quase vazias, Nicole o chamou para conhecer os compartimentos da casa e a tensão diminuiu um bocado.
 Após a visitação Nicole foi novamente encher as taças, e surpresa tal foi para ela, quando ao retornar avistou Heitor lendo o texto que ela escrevia antes da sua chegada, antes da campainha tocar e modificar todos os seus planos para a noite em questão. Estupefata Nicole ficou ali, observando-o com as duas taças nas mãos. Então nesse momento, analisando a silhueta de perfil de Heitor ela percebeu que duas coisas certamente não haviam mudado nele: seus enormes olhos cor de mel e seus lábios apetitosamente avermelhados.
 Apercebendo-se da presença de Nicole – um tanto tardiamente pelo efeito do álcool que parecia estar se externando – voltou seus olhos aos dela pedindo desculpas pela curiosidade tamanha. Explicou que se interessara pelos livros que estavam na mesinha e foi até lá para vê-los, quando fora traído por seus olhos que ao visualizarem a tela do computador não mais puderam dela afastarem-se, tamanha fascinação haviam sentido pelas palavras que liam.
 Nicole teve certa dúvida em como proceder perante a leitura e elogio de Heitor, o texto que escrevia possuía um teor altamente erótico e sua personagem principal, acreditem ou não, era justamente Heitor. Ela não soube se ele descobrira, se havia percebido alguma semelhança entre ambos. Ela nada perguntou, ele nada afirmou. Ao menos não até então.
 - Tudo bem. Não era exatamente um segredo. Eu o colocarei em meu blog quando estiver completo.
 - E eu farei questão de lê-lo.
 - Claro...
 Continuaram a conversar, havia se passado vários meses desde a última conversa que haviam tido, via msn. Lembraram-se de muitas situações da época de adolescentes, sempre com o cuidado de não tocar nos momentos mais frágeis, nas lembranças mais profundas, mais doloridas e mais íntimas. Embora a conversa supérflua que estavam tendo, em seu íntimo Nicole desejava aproximar-se, ao menos um pouco mais, de Heitor. Quando as taças novamente quase secaram Heitor disse que dessa vez as encheria. Nesse momento Nicole levantou-se e foi até perto dele afirmando que não era necessário, no mesmo momento Heitor se levantou do sofá, logo ele e Nicole tocaram seus corpos de forma que as taças chocaram-se e um jorro do resto do vinho sujou sua camisa.
 - Tira a camisa Heitor, rápido, vou lavar logo antes que a mancha finque.
 Enquanto Heitor desabotoava os botões da camisa, Nicole retirava seu suspensório e quando a camisa não mais cobria seu corpo, ela pode perceber que mais duas coisas continuavam a mesma: seu peito pálido e sem pêlos, e a sua mania de deixar a borda da cueca acima do cós da calça, o que atraia maliciosamente seu olhar. Era impossível que Heitor não houvesse percebido o desejo nos olhos de Nicole. Ele entregou-lhe a camisa enquanto ela lhe entregava as taças. De tão perto ela pode sentir o medo e desejo que os olhos dele também tentavam aprisionar e esconder.
 Rapidamente Nicole correu para a pia para lavar a mancha, e enquanto lá estava Heitor encheu as taças. Depois de alguns minutos de silêncio não pode mais conter o clima que o estava embriagando.
 - Nicole, é impressão minha ou realmente há semelhanças entre a personagem do seu texto e eu ?
 - Acho que não é um bom momento para tocarmos nesse assunto, Heitor – Nicole respondeu séria e nervosamente.
 Nicole acabou de tirar a mancha, pegou a sua taça que estava na mesa e seguiu para a sala, instalando-se no mesmo lugar de antes: a janela.
 A resposta de Nicole foi mais afirmativa que qualquer “sim” que ela pudesse proferir. Segundos depois de ter pensado em como tocaria no assunto, ou se talvez não o devesse, Heitor voltou para a sala e seus olhos e os de Nicole novamente encontraram-se. Não haviam mas pensamentos íntimos e individualizados, estava claro o que Nicole sentia, para Heitor, porém, o contrário ainda era duvidoso.
 - Você não imagina o quanto fiquei feliz quando ouvi sua voz do outro lado da porta. E também não faz ideia do esforço que é resistir a tocar em você. Todas as vezes que nos encontramos, mesmo sendo tão escassas, eu desejava coisas que sabia não aconteceriam, tínhamos namorados, pessoas inocentes que nada tinham a ver com o que eu sentia e o quanto aspirava a você. Mas se eu podia controlar racionalmente meus atos, o mesmo não conseguia de minhas vontades, imaginações. Quando nos separamos parte de mim certamente foi com você, e houveram noites e dias extremamente difíceis sem sua voz, sua presença, sua companhia. E apesar de todo esse tempo, todas as vezes que eu te vejo, sinto tudo novamente. O desejo, o companheirismo... o amor, como se as sensações apenas deixassem de existir com sua ausência e de novo apresentassem-se na sua presença. E em todos esses momentos eu tenho que fingir que você não é pra mim, aquilo que nunca deixou de ser, e é angustiante, porque ao mesmo tempo que sua presença me enche de prazer, eu não posso extravasá-lo. Sei que são vontades minhas e que não há motivo para falarmos sobre o assunto, não estou querendo nada de você, embora é claro, eu deseje. Só preciso ser forte e continuar me segurando, como na vez que nos vimos e nos abraçamos naquela pracinha. Você sabe o quanto eu posso ser impulsiva e me conter naquele dia foi terrivelmente doloroso, controlar a ânsia dos teus lábios, que estavam tão próximos de mim, como a anos não estavam, e logo no lugar que foi tão importante para nós. Mas eu consegui ser forte, nós conseguimos, e não passou de um abraço.
 - Durante todo o tempo que Nicole conversou com Heitor, ou no caso monologou, os olhos dele estavam fixos na sua taça de vinho, no qual ele quase não tocou. Nenhuma palavra havia sido proferida, ele ouvia silenciosamente o desabafo intimo de Nicole. Ela se perguntava se havia ultrapassado os limites que haviam entre eles, se ele se aborreceria e simplesmente iria embora sem dar uma palavra. Felizmente isso não ocorreu e ela logo pode saber do que consigo mesmo ele triturava.
 - Eu sempre penso em você Nicole. Você foi muito especial pra mim, pelo que eu sentia por você, por tudo que dividiu comigo. Todas as vezes que eu te vi também desejei um contato maior, por isso disse que era melhor não nos vermos mais, ainda que tão raramente e sem contato algum mais íntimo. Tinha medo de que algum dia ultrapassasse os limites que deviam existir, por motivos vários que você sabe bem quais. Sempre há situações que me recordam você, nós, apesar de sermos diferentes agora e de termos vidas diferentes. Eu tenho sonhos com você às vezes e passo todo o dia sentindo uma certa vontade de te ver, de conversar. Sabe de uma coisa que lembrei de repente um dia desses? Da primeira e única vez que dançamos. Lembra? Eu nunca fui um exímio dançarino mas acho que devo estar um pouco melhor.

Continua...

Flor de Lótus

Vômitos Alheios Especiais:

  • Kiko Oliveira
  • O Corvo - Maurício Oliveira
  • Issac Roberto
  • Willy Anderson
  • Diego Herbert
  • Léo Azevedo
  • Anita Talassa - Analice Leandro
  • Diogo Bezerra
  • Pedro Lima

Momento Leitura:

  • Livros e Afins
  • Adolfo Caminha: A Normalista
  • André Vianco: Bento, O Vampiro Rei 1 e 2; Os Sete; Sétimo
  • Anne Rice: A História do Ladrão de Corpos; Violino; A Hora das Bruxas 1, 2 e Lasher - Trilogia
  • Ari Denisson: baroque.doc
  • Arriete Vilela: Fantasia e Avesso; Áridas paixões, ávidos amores
  • Augusto dos Anjos: Eu e Outras Poesias
  • Bram Stocker: Drácula
  • Carlos Nealdo dos Santos: O Pianista do Silencioso
  • Charles Baudelaire: Um Comedor de Ópio; As Flores do Mal
  • Chico Buarque: Budapeste
  • Christopher Paolini: Eragon; Eldest; Brisingr (Trilogia da Herança)
  • Clarice Lispector: A Paixão Segundo G. H.; Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres; Agua Viva; A Hora da Estrela; Um Sopro de Vida; Perto do Coração Selvagem
  • Dan Brown - Código Da Vinci; Fortaleza Digital; Anjos e Domônios
  • Edgar Allan Poe: Histórias Extraordinárias
  • Elizabeth Kostova: O Historiador
  • Elton SDL: Mentalmorfose
  • Florbela Espanca: Sonetos
  • Flávio Moreira da Costa (Org.): As 100 Melhores Histórias Eróticas da Literatura Universal
  • Frank Miller: Sin City - A Cidade do Pecado
  • Gabriel Garcia Márquez: Memória de Minhas Putas Tristes
  • Goethe: Os Sofrimentos do Jovem Werther
  • J. K. Howlling: Harry Potter e A Pedra Filosofal; Harry Potter e A Câmara Secreta; Harry Potter e O Prisioneiro de Azkaban; Harry Potter e O Cálice de Fogo; Harry Potter e O Enigma do Príncipe; Harry Potter e A Ordem da Fênix; Harry Potter e As Relíquias da Morte
  • J. R. R. Tolkien: O Hobbit; O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel; O Senhor dos Anéis - As Duas Torres; O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei
  • Joao Ubaldo Ribeiro: A Casa dos Budas ditosos
  • Joe Dunthorne: Submarino
  • Jostein Gaarder: Vita brevis; O dia do Curinga; Ei! Tem Alguém Aí?; Através do Espelho; O Mundo de Sofia
  • José Saramago: O Evangelho Segundo Jesus Cristo
  • Jô Soares: O Xangô de Baker Street; O Homem que Matou Getúlio Vargas; Assassinato na Academia Brasileira de Letras
  • Júlia Maya: O Despertar da Bruxa
  • Kai Hermann e Horst Rieck (recolheram depoimentos): Eu Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída
  • Luís Fernando Veríssimo: As Mentiras que os Homens Contam
  • Lya Luft: O Quarto Fechado; A Asa Esquerda do Anjo; Reunião de Família
  • Lêdo Ivo: Ninho de cobras
  • Machado de Assis: Memórias Póstumas de Brás Cubas; Quincas Borba
  • Marcelo Rubens Paiva: Feliz Ano Velho
  • Maria Mariana: Confissões de adolescente
  • Marion Zimmer Bradley: As Brumas de Avalon - 4 volumes; A Casa da Floresta
  • Marquês de Sade: A Filosofia na Alcova; Contos Proibidos; Justine
  • Milton Rosendo: Os Moinhos
  • Neil Gaiman: Stardust
  • Nilton Rezende: O Orvalho e os Dias
  • Oscar Wilde: O Retrato de Dorian Gray
  • Ovídio: A Arte de Amar; Remédios para o Amor
  • Pauline Réage: A história de O
  • Paulo Coelho: Brida; O Diário de um Mago; As Valquírias; Na Margem do Rio Piedra eu Sentei e Chorei; O Demônio e a Srta. Pryn; O Alquimista; Onze Minutos; A Bruxa de Portobello
  • Platão: O banquete
  • Raven Grimassi: Bruxaria
  • Roger Shattuck: O Conhecimento Proibido
  • Sade: Filosofia na Alcova; Contos Libertinos
  • Sidney Sheldon: O Reverso da Medalha; A Herdeira; Juízo Final; Nada Dura para Sempre; A Outra Face
  • Stephen Chbosky: As vantagens de ser invisível
  • Stephen King: Carrie - A Estranha; A Torre Negra Vol. I - O Pistoleiro; A Torre Negra Vol. II - A Escolha dos Três; A Torre Negra Vol. III - As Terras Devastadas; A Torre Negra Vol. IV - Mago e Vidro; A Torre Negra Vol. V - Lobos de Calla; A Torre Negra Vol. VI - Canção de Susannah; A Torre Negra Vol. VII - A Torre Negra
  • Stephenie Meyer: Crepúsculo; Lua Nova; Eclipse; Amanhecer
  • Ágatha Christie: O Assassinato de Roger Ackroyd;Assassinato no Expresso do Oriente; Morte no Nilo; Morte na Praia;Um Brinde de Cianureto; Um Corpo na Biblioteca; Cai o Pano

Indicações Musicais:

  • A Mente
  • A-Ha
  • Adriana Calcanhoto
  • Agridoce
  • Alanis Morissette
  • Amy Whinehouse
  • Audioslave
  • Cachorro Grande
  • Carla Bruni
  • Cazuza
  • Celtic Woman
  • Cerva Grátis
  • Chico Buarque
  • Cindy Lauper
  • Coeur de Pirate
  • Coldplay
  • Cris Braun
  • David Bowie
  • Emilie Simon
  • Engenheiros do Hawaii
  • Enya
  • Epica
  • Foo Fighters
  • Gato Zarolho
  • Gothic Night
  • Joni Mitchell
  • Jorge Vercilo
  • Korn
  • Lacuna Coil
  • Lana Del Rey
  • Legião Urbana
  • Lenine
  • Lisa Thiel
  • Loreena Mckennitt
  • Los Hermanos
  • Madredeus
  • Mallu Magalhães
  • Matanza
  • Mr. Freeze
  • Nando Reis
  • Nirvana
  • O Teatro Mágico
  • Oasis
  • Os Tribalistas
  • Oswaldo Montenegro
  • Pixies
  • Rita Lee
  • Roxette
  • Secos e Molhados
  • Shakira
  • Shaman
  • Tenacious D
  • The Cramberries
  • The Doors
  • The Killers
  • The Runaways
  • The Smiths
  • Tiê
  • Tuatha de Danann
  • Tulipa Ruiz
  • Wander Wildner
  • Within Temptation
  • Zeca Baleiro

Filmes Recomendados:

  • A casa do lago
  • A dama na água
  • A história de O.
  • A invocação do mal
  • A papisa Joana
  • A rainha dos condenados
  • Adaptação
  • Advogado do diabo
  • As brumas de Avalon
  • As vantagens de ser invisível
  • Azul é a cor mais quente
  • Bernie
  • Branca de neve e o caçador
  • Christiane F.: 13 anos, drogada e prostituída
  • Como esquecer
  • Constantine
  • Da magia a sedução
  • Delta de vênus
  • Detroit rock city
  • Dicionário de cama
  • Diário de um adolescente
  • Drácula
  • E aí, comeu?
  • Eclipse de uma paixão
  • Em luta pelo amor
  • Entrevista com o vampiro
  • Espelho, espelho meu
  • Fahrenheit 451
  • Garotos de programa
  • Gattaca
  • Henry & June
  • Histórias de amor duram apenas 90 minutos
  • Hoje eu quero voltar sozinho
  • Jovens bruxas
  • Laranja mecânica
  • Ligações perigosas
  • Malévola
  • Mama
  • Meninos não choram
  • Nosferatu
  • O Hobbit: uma jornada inesperada
  • O beijo de drácula
  • O guru do sexo
  • O homem duplo
  • O nome da rosa
  • O poderoso chefão (3 filmes)
  • O sabor da magia
  • O óleo de Lorenzo
  • Opium
  • Paper moon
  • Paul
  • Praia do futuro
  • Querido John
  • Scott Pilgram vs. o mundo
  • Se beber, não case! (3 filmes)
  • Sideways - entre umas e outras
  • Sin city
  • Smurfs
  • Submarino
  • Superbad
  • Tean America
  • The Doors - O filme
  • Trem noturno para Lisboa
  • Vanilla sky
  • Ágora