domingo, 9 de janeiro de 2011


O reencontro

 Fim

 Depois dessa afirmação ambos deram gargalhadas e começaram a lembrar dos detalhes, de forma que a tensão que se instalava ali foi se dissipando, mas quando o clima estava quase fácil de sobreviver, a música em questão tocou no rádio. Ou os Deuses estavam brincando com o poder de resistência deles ou isso definitivamente era um sinal. Será que, parafraseando Paulo Coelho, o universo conspirava ao favor deles? Não pode mais haver racionalidade e eles foram atraídos um para o corpo do outro, mecanicamente.
 Finalmente os íons de cargas opostas que havia neles foram enfim aproximados, e seus corpos reconheceram-se, suas almas tornaram-se novamente as de anos atrás. Sentiram-se assim, tocaram-se assim, amaram-se assim. As mãos de Nicole sentiam o calor das costas de Heitor e deslizavam suavemente entre suas costas e sua nuca, enquanto as dele apertavam fortemente sua cintura, enquanto sua boca aproximava-se do seu pescoço e ele inalava o cheiro dos cabelos de Nicole. Outra certeza de inalteração: o cheiro do corpo de Heitor, continuava o mesmo, inesquecível.
 Tudo que haviam vivido após aquela época foi esquecido, não haviam mais pessoas, não haviam mais experiências, apenas eles e o que desejavam fazer, sem nada para impedi-los. Beijaram-se incontrolavelmente e Nicole pode sentir novamente o doce sabor vinícula dos lábios e língua de Heitor. O mesmo corpo, o mesmo cheiro, o mesmo beijo. Durante a dança logo foram transportados para a atmosfera adolescente que os envolvera anos antes, suas almas possuíam o mesmo amor e inocência.
 - Que bom sentir você de novo Heitor. Te amo tanto. Desculpa nunca ter falado.
 - Também te amo. Quero você, que saudade.
 A partir da dança de hoje, Heitor e Nicole não foram mais os mesmos. Suas peças de roupas foram sendo retiradas docemente e no sofá eles se amaram, como jamais, antes ou depois daquela noite vernal de sexta-feira. Os corpos que ali se encontraram e encaixaram já se pertenciam animicamente e precisavam terminar o que antes haviam iniciado, precisavam do prazer total, do ápice da volúpia. Ali eles adormeceram: entre mãos, braços e pernas entrelaçados.
 Certa hora da madrugada Nicole acordou Heitor, sua namorada havia telefonado e ele não acordara, ela devia estar preocupada e ele tinha de voltar para casa, para ela. Ele tomou banho pois não podia chegar em casa com o seu cheiro, mas desejava permanecê-lo em sua pele. Antes de Heitor partir Nicole disse que dormiria com seu odor no corpo, que sonharia com cada movimento, cada sensação, cada gemido. E despediram-se com um abraço profundo e duradouro.
 Nicole voltara para o computador, com toda inspiração renovada para terminar seu conto, ela sabia então cada palavra que ali redigiria. Depois de terminado postou-o em seu blog. Alguns minutos após ela recebeu um e-mail de Heitor, cujo ela abriu ansiosamente.

Essa foi umas das melhores noites da minha vida, e tenho certeza que palavras não a descreveria da mesma forma que eu a sinto. Amar você certamente foi a coisa mais linda que eu fiz na vida. Você está marcada em mim, tal qual a tatuagem que fizestes e que representa aquilo que um dia fomos. Jamais esquecerei a você ou a essa noite. Independente do seu cheiro ter aparentemente saído de meu corpo, eu o guardarei docemente em minha mente. Não precisa responder ao e-mail, sei que você sabe o porquê. Beijos e uma ótima noite.”

Heitor

P.S.: Acabo de ler o conto, ficou perfeito. Assim como você.


Flor de Lótus

O reencontro

Meio

 Com medo de que sua impetuosidade ígnea fosse mais forte que seu raciocínio lógico, ela preferiu continuar a conversa com Heitor de uma distância relativamente segura. Enquanto ele continuava no sofá, ela sentou-se na janela que ficava de fronte ao canteiro de rosas e lírios, que exalavam um perfume enfeitiçador. Pouco tempo depois, quando as taças estavam quase vazias, Nicole o chamou para conhecer os compartimentos da casa e a tensão diminuiu um bocado.
 Após a visitação Nicole foi novamente encher as taças, e surpresa tal foi para ela, quando ao retornar avistou Heitor lendo o texto que ela escrevia antes da sua chegada, antes da campainha tocar e modificar todos os seus planos para a noite em questão. Estupefata Nicole ficou ali, observando-o com as duas taças nas mãos. Então nesse momento, analisando a silhueta de perfil de Heitor ela percebeu que duas coisas certamente não haviam mudado nele: seus enormes olhos cor de mel e seus lábios apetitosamente avermelhados.
 Apercebendo-se da presença de Nicole – um tanto tardiamente pelo efeito do álcool que parecia estar se externando – voltou seus olhos aos dela pedindo desculpas pela curiosidade tamanha. Explicou que se interessara pelos livros que estavam na mesinha e foi até lá para vê-los, quando fora traído por seus olhos que ao visualizarem a tela do computador não mais puderam dela afastarem-se, tamanha fascinação haviam sentido pelas palavras que liam.
 Nicole teve certa dúvida em como proceder perante a leitura e elogio de Heitor, o texto que escrevia possuía um teor altamente erótico e sua personagem principal, acreditem ou não, era justamente Heitor. Ela não soube se ele descobrira, se havia percebido alguma semelhança entre ambos. Ela nada perguntou, ele nada afirmou. Ao menos não até então.
 - Tudo bem. Não era exatamente um segredo. Eu o colocarei em meu blog quando estiver completo.
 - E eu farei questão de lê-lo.
 - Claro...
 Continuaram a conversar, havia se passado vários meses desde a última conversa que haviam tido, via msn. Lembraram-se de muitas situações da época de adolescentes, sempre com o cuidado de não tocar nos momentos mais frágeis, nas lembranças mais profundas, mais doloridas e mais íntimas. Embora a conversa supérflua que estavam tendo, em seu íntimo Nicole desejava aproximar-se, ao menos um pouco mais, de Heitor. Quando as taças novamente quase secaram Heitor disse que dessa vez as encheria. Nesse momento Nicole levantou-se e foi até perto dele afirmando que não era necessário, no mesmo momento Heitor se levantou do sofá, logo ele e Nicole tocaram seus corpos de forma que as taças chocaram-se e um jorro do resto do vinho sujou sua camisa.
 - Tira a camisa Heitor, rápido, vou lavar logo antes que a mancha finque.
 Enquanto Heitor desabotoava os botões da camisa, Nicole retirava seu suspensório e quando a camisa não mais cobria seu corpo, ela pode perceber que mais duas coisas continuavam a mesma: seu peito pálido e sem pêlos, e a sua mania de deixar a borda da cueca acima do cós da calça, o que atraia maliciosamente seu olhar. Era impossível que Heitor não houvesse percebido o desejo nos olhos de Nicole. Ele entregou-lhe a camisa enquanto ela lhe entregava as taças. De tão perto ela pode sentir o medo e desejo que os olhos dele também tentavam aprisionar e esconder.
 Rapidamente Nicole correu para a pia para lavar a mancha, e enquanto lá estava Heitor encheu as taças. Depois de alguns minutos de silêncio não pode mais conter o clima que o estava embriagando.
 - Nicole, é impressão minha ou realmente há semelhanças entre a personagem do seu texto e eu ?
 - Acho que não é um bom momento para tocarmos nesse assunto, Heitor – Nicole respondeu séria e nervosamente.
 Nicole acabou de tirar a mancha, pegou a sua taça que estava na mesa e seguiu para a sala, instalando-se no mesmo lugar de antes: a janela.
 A resposta de Nicole foi mais afirmativa que qualquer “sim” que ela pudesse proferir. Segundos depois de ter pensado em como tocaria no assunto, ou se talvez não o devesse, Heitor voltou para a sala e seus olhos e os de Nicole novamente encontraram-se. Não haviam mas pensamentos íntimos e individualizados, estava claro o que Nicole sentia, para Heitor, porém, o contrário ainda era duvidoso.
 - Você não imagina o quanto fiquei feliz quando ouvi sua voz do outro lado da porta. E também não faz ideia do esforço que é resistir a tocar em você. Todas as vezes que nos encontramos, mesmo sendo tão escassas, eu desejava coisas que sabia não aconteceriam, tínhamos namorados, pessoas inocentes que nada tinham a ver com o que eu sentia e o quanto aspirava a você. Mas se eu podia controlar racionalmente meus atos, o mesmo não conseguia de minhas vontades, imaginações. Quando nos separamos parte de mim certamente foi com você, e houveram noites e dias extremamente difíceis sem sua voz, sua presença, sua companhia. E apesar de todo esse tempo, todas as vezes que eu te vejo, sinto tudo novamente. O desejo, o companheirismo... o amor, como se as sensações apenas deixassem de existir com sua ausência e de novo apresentassem-se na sua presença. E em todos esses momentos eu tenho que fingir que você não é pra mim, aquilo que nunca deixou de ser, e é angustiante, porque ao mesmo tempo que sua presença me enche de prazer, eu não posso extravasá-lo. Sei que são vontades minhas e que não há motivo para falarmos sobre o assunto, não estou querendo nada de você, embora é claro, eu deseje. Só preciso ser forte e continuar me segurando, como na vez que nos vimos e nos abraçamos naquela pracinha. Você sabe o quanto eu posso ser impulsiva e me conter naquele dia foi terrivelmente doloroso, controlar a ânsia dos teus lábios, que estavam tão próximos de mim, como a anos não estavam, e logo no lugar que foi tão importante para nós. Mas eu consegui ser forte, nós conseguimos, e não passou de um abraço.
 - Durante todo o tempo que Nicole conversou com Heitor, ou no caso monologou, os olhos dele estavam fixos na sua taça de vinho, no qual ele quase não tocou. Nenhuma palavra havia sido proferida, ele ouvia silenciosamente o desabafo intimo de Nicole. Ela se perguntava se havia ultrapassado os limites que haviam entre eles, se ele se aborreceria e simplesmente iria embora sem dar uma palavra. Felizmente isso não ocorreu e ela logo pode saber do que consigo mesmo ele triturava.
 - Eu sempre penso em você Nicole. Você foi muito especial pra mim, pelo que eu sentia por você, por tudo que dividiu comigo. Todas as vezes que eu te vi também desejei um contato maior, por isso disse que era melhor não nos vermos mais, ainda que tão raramente e sem contato algum mais íntimo. Tinha medo de que algum dia ultrapassasse os limites que deviam existir, por motivos vários que você sabe bem quais. Sempre há situações que me recordam você, nós, apesar de sermos diferentes agora e de termos vidas diferentes. Eu tenho sonhos com você às vezes e passo todo o dia sentindo uma certa vontade de te ver, de conversar. Sabe de uma coisa que lembrei de repente um dia desses? Da primeira e única vez que dançamos. Lembra? Eu nunca fui um exímio dançarino mas acho que devo estar um pouco melhor.

Continua...

Flor de Lótus

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011


O Reencontro


Início


 Heitor voltava de uma confraternização do pessoal com o qual trabalhava, no caminho quando para casa retornava, resolveu de súbito visitar uma antiga amiga sua de colégio. Sua residência ficava pelo seu caminho e ela havia se mudado a pouco, sendo então um bom momento para revê-la.
 Quando tocou a campainha uma voz feminina gritou:
 - Quem é?
 Num primeiro instante ele achou que tinha errado o endereço, mas teve certeza logo após que não. Em seguida pensou que estava sendo ludibriado pelo álcool que havia ingerido na festa, pois quela parecia a voz de alguém que ele conhecia – ou ao menos conheceu – muito bem. Mas ele resolveu arriscar e seguir a audição e o coração, que a tanto disparava descompassadamente.
 - Nicole?!
 Nesses instantes passados Nicole preparava-se para pôr as mãos na maçaneta da porta e abri-la, quando o som da voz que ouviu a paralisou instantaneamente. Ela pensou: Heitor?! Nossa, será que já estou tão bêbada? Antes da porta ser aberta Nicole perguntou desconfiada:
 - Heitor?!
 E em questão de segundos corridos abriu a porta feliz e ao mesmo tempo receosa com o que – ou no caso quem - estaria do outro lado da porta.
 - Oi! - respondeu Heitor à Nicole.
 - Nossa! Oi!
 E os olhos deles finalmente encontraram-se após quase dois anos e quase nenhuma conversa on-line.
 - A Mirna tá aí?
 - Na verdade não. Hoje foi dia de plantão dela, então pedi para vir usar a sua internet essa noite. Tô terminando um trabalho.
 - Liguei para ela mas o celular está desligado, então resolvi arriscar. Tava passando por aqui perto, achei que era uma boa rever a amiga e conhecer sua nova casa.
 - Ah entendo. Nossa que mal educada eu. Entra Heitor. Eu mostro à casa a você, ao menos sua visita não será toda em vão.
 Nicole também era amiga de Mirna, e ainda depois do tempo colegial se viram durante um tempo. Saiam os três, bebiam um vinho... Mas nada mais que isso, praticamente nenhum toque corporal entre Nicole e Heitor.
 Ao entrar Heitor sentou-se no sofá, Nicole ofereceu-lhe uma taça do vinho que bebia e ele aceitou-a. A taça que Nicole usava havia sido presente da mesma à Mirna, para a casa nova, era uma dupla de taça, que ela mesma estava usando pela primeira vez, e a outra também haveria de perder a virgindade.
 Quando enfim se viu sozinha na cozinha pode então soltar todo o ar que estava prendendo em seu pulmão, estava nervosa e apreensiva por estar a sós com ele. Sozinha naquela casa com alguém que ela tanto desejava, e aquela sensação de atração que a seduzia para ele. Heitor havia sido seu namorado na adolescência, há cerca de sete anos, e seu posto jamais fora substituído, homem algum chegou a ser tão perfeito e fazê-la sobrepujar todas as sensações e amor que sentira por ele.
 Voltou à sala e entregou-lhe a taça, e as mãos de ambos, ainda que levemente, tocaram-se, e os olhares, antes incertos de para onde olharem, focaram um no outro. Nesse instante Nicole percebeu que seu desejo guardado talvez não fosse apenas dela, e teve medo do que poderia acontecer naquela noite, que apenas começava. E ela se indagou se tudo que ela sentia seria mesmo recíproco.


Continua...


Flor de Lótus

Chuva - sol - chuva


O dia raiou.

Leves gotas d'água o acompanharam
caindo lenta e suavemente.

De súbito o sol surge
por nuvens quase isentas
e um céu azul-claro.

Eis que novas gotas se apresentam
transformando o céu em cinza
com nuvens carregadas de tristeza.

Encharcam a terra
proporcionando a exalação do cheiro
tranquilizante de terra molhada.

Mas essa dualidade: chuva – sol 
demarcava a sensibilidade desse dia
e a instabilidade que suas ações previam.

Pena que entre a alegria do Sol
e a tristeza da chuva
a água frigida venceu por mais tempo
tomando parte de todo o dia quase.

E se outrora a chuva parecia purificar
desta vez reafirmava a tristeza
que tão cedo não findaria.

Dias sucederam-se de chuvas e sóis
mas as chuvas eram mais vívidas
mais presentes e reais.


Flor de Lótus
04/01/11


Desabafo de um solitário


Sinta o tênue toque do piano
A batida estridente da bateria
E minha voz que a entoa.
Siga as ondas do som
E me encontrarás solitário
À sua espera desde o sempre.

As luzes se acendem
Ainda assim eu continuo nas trevas
De minha essência imortal
À ermo.
Sinta seu fulgor frígido
E o transforme em algo vívido.
Devolva-me a vida
Com a alegria em minha morte.

Não quero viver só
Não quero esse sangue apenas para mim:
Quero partilhar isso com alguém mais.
Você estará disposta?


Flor de Lótus
2008

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010


Pequena crônica das minhas lembranças natalinas


Estava eu aqui, ouvindo e vendo A-Ha e tomando minha vodka com suco de laranja (um Hi-fi falsificado pois o suco é de garrafinha) e então pensando, vagando, devaneando pensei: hoje é natal! Assim, como se isso não fosse algo extremamente óbvio. Então percebi que nunca escrevi nada sobre datas comemorativas, uma coisa que eu sei “não infrói nem contribói”, mas... Portanto resolvi escrever algo sobre o Natal.

A primeira referência de minha mente é para a religião católica, lembro-me dos infindos filmes que passavam (não sei bem ao certo se ainda passam, não costumo mais ver TV), nos canais abertos, todo final de ano, só não sendo pior que na Semana Santa. Depois, me recordo das árvores de natal, os enfeites iluminados e dos pisca-piscas (é mesmo assim que se escreve seu plural?). Uma coisa que realmente gosto muito são as luzes do natal, imagino a cidade inteira na escuridão apenas com as luzes das árvores e enfeites acesos, seria um monumento aos meus olhos.

Lembro-me de Papai Noel, aquele bom velhinho que normalmente é representado por um gordo que não é gordo, um velho que não é velho, com uma barba que não é barba. Sério mesmo, eu vejo os papais Noeis e fico pensando em como se acredita naquilo, é tão óbvio que é falso. Mas enfim, confesso que não recordo bem do meu relacionamento com ele enquanto criança. Algo a ser perguntado à minha mãe.

Bem, em sequência me lembro de duas situações da minha infância. A primeira era quando fui evangélica. Sim, eu sei, ninguém acredita, mas eu fui sim, nos primórdios da minha infância. A igreja? Adventista do 7o dia, dá pra tu? Enfim, o que me lembra dessa época são as festas que lá haviam, muito legais por sinal. Muita comida, gente conversando potoca, uns gatinhos...

Em segundo lugar, me lembra que qualquer data comemorativa me era especial porque nela havia roupa nova – não sei se acontece com toda criança, mas para mim vestir roupa nova era praticamente um orgasmo. E depois, eram dias de ver o dia nascer acordada, de sair, de dançar e de tomar o meu champanhe de todo final de ano. Ninguém na minha casa curtia muito ele, e eu sempre adorei, logo, quem tomava praticamente toda a garrafa era quem? Quem? Pois é, eu tinha a graça.

Ahh como eu almejava dias assim, acordava toda animada rezando para a noite chegar, para o champanhe ser aberto, pra encontrar meus amigos e passear no bairro, comer e dançar. Nossa, dançávamos muito, pena que se eu disser que tipo de música a minha ficha ficará suja, logo, nem perguntem.

Depois de algum tempo, já na minha adolescência, fiquei então sabendo do fato de que o natal, como o conhecemos, cristão, na verdade possuí muitos traços e derivações do paganismo. Achei interessantíssimo, afinal, nessa época minha fé cristã meio que já havia se dissipado um bocado. Infelizmente minhas lembranças pagãs estão um pouco apagadas, pois esse é o preço que se paga por essa vida conturbada, cosmopolita e material que levamos no dia a dia.

Mas enfim, uma observada rápida por costumes natalinos comuns nos faz perceber que essa ligação é real. A começar pelos enfeites, como a guirlanda e árvores de natal. Quer coisa mais natural que folhas e árvores? Óbvio que isso surgiu do paganismo, o catolicismo venera ouro e prata em uma construção gigantesca e material, cujo nome eles deram de igreja. O culto a natureza é oriundo dos povos pagãos, que viviam e dependiam da terra para sua sobrevivência, e então a cultuavam e observavam.

Sabemos que a anos-luz antes do nascimento de “Jesus 'Krihsna'” - como disse uma amiga minha quando um pouco alcoolizada – já havia natureza e povos que estavam diretamente ligados à terra e dependiam de colheitas para garantir sua vida, sua alimentação. Povos que observavam quando nascia e se punha o sol, quando as estações mudavam e pressentiam suas alterações. Indivíduos que possuíam uma ligação com a vida, com o cilo eterno de morte-vida como não conseguimos mais. Perdemos um bocadão da nossa essência animal.

Apesar de todas essas referências/lembranças da época natalina, ainda assim acho um data melancólica. Na verdade, praticamente sinto isso com relação à todas as datas festivas. Com exceção de juninas, que, nossa!, é bem animada mesmo. Interessante como as coisas mudam, como nós, seres humanos estamos em constante e diária mutação. Quando criança, as datas comemorativas me eram esperadas com ânimo, ansiedade, enquanto hoje, que tenho noites mal dormidas, bebidas mal digeridas, tudo à vontade, me são tão desanimadas.

Antes do dia fico sempre down, não consigo sentir alegria, exceto quando vejo as luzes da cidade, piscando, piscando, piscando... É, escrever foi um ótimo passatempo enquanto eu degustava o mísero resto de vodka, mas eis que a hora de ir se aproxima. Além é claro, do fato de as letras digitadas não condizerem mais com as palavras que eu quero escrever. Putz! Meio tarde já, acredito que chegarei atrasada ao meu destino.

Bom natal a todos!


Flor de Lótus
25/12/10

sábado, 18 de dezembro de 2010

A Volatilidade dos sentimentos


Não que todos cujo um - ou no caso vários - dias da minha vida tenha sido parte fundamental da mesma, estejam todos ao meu redor ou de alguma forma ainda ligados à minha pessoa, mas, os que realmente foram íntimos, de alguma forma, em algum momento, sempre por mim são lembrados (tanto homens como mulheres, que fique claro que minha inquietação sobrevoa ambos os seres, observando a importância destes enquanto seres humanos e não enquanto gênero).

Assistindo um filme nessa tarde (Três formas e amar), no final do mesmo uma das personagens principais refletia sobre os acontecimentos pelos quais havia passado, e as pessoas que com ele dividiu-os, e ele questionava-se: 'como uma pessoa pode ser tão importante para outra num dia, e simplesmente desaparecer no outro?'. Incrivelmente eu pensava no 'tema' já a alguns dias me preparando para escrever algo sobre, então a vontade me saltou dos entranhas e a exponho aqui nesta tarde ensolarada, tomando meu velho vinho gelado ao som do acústico de Engenheiros do Hawaii.

Muitas vezes, ouvindo meu mp3, pegando aquele velho ônibus que faz um tour por parte de Maceió antes de chegar em minha residência, eu penso muito, muito e muito. Eu me indago, eu me exponho, eu me inquieto e me observo: me descubro. Dentre esses questionamentos está esse de como as pessoas ontem imprescindíveis para sua respiração simplesmente continuar, são hoje tão insignificantes, esquecíveis, desnecessários.

Claro, como já disse antes: há situações e situações. Quando lidamos com pessoas, a maleabilidade, inconstância e flexibilidade parecem ser de extrema importância e necessidade, logo, um caso pode não se adequar ao outro. Isto acaba de nos gerar outra pergunta: de que forma a relação se iniciou e o motivo de seu fim.

Primeiro, há situações onde as pessoas com as quais você convive tornam-se imprescindíveis pelo fato de tudo que traz ao seu mundo, tanto de bom quanto de mau, sendo estas situações saudáveis, onde a sensação é tão prazerosa que nos faz achar ser para sempre. Há situações, onde o 'para sempre' se finda por motivos externos e inimagináveis, mas ainda assim, saudáveis.

Há as pessoas que sabemos pertencerão ao nosso círculo íntimo por tempo determinado, seja pela situação apresentada, seja pela intuição, mas estas, sabemos ter algo de bom para nos contribuir e bons momentos para dividir e somar. Dentre essas, outras mais podem se apresentar, mas todas com boas intenções, pessoas que vão e vem, porque assim a vida é: uma eterna Roda Viva, como diria Chico Buarque.

Diferenciam-se esses casos, dos quais pessoas aproveitando-se de sua bela aparência e dom da retórica infiltram-se nas vidas alheias, com toda sua 'lábia' e de repente, quando tudo parece estar se fixando, quando a tatuagem parece estar perdendo a pele morta, simplesmente ela por completo começa a descascar.

Essas pessoas em especial me causam certa estranheza, dúvida, tristeza até. Não sei se posso confiar em pessoas que tratam as outras como objetos inválidos, temporários na pior forma. Alguma vez na minha vida alguém falou que o que cercava o relacionamento humano era o interesse. Isso não é de todo mentiroso, muito pelo contrário, torna-se totalmente fatídico se por um mísero minuto for analisado. Mas isso é assunto de outra discussão, quem sabe em breve. Mas, levando em consideração essa afirmativa, ainda assim, as pessoas não podem simplesmente cortar o passado como se corta um fio de cabelo, afinal de contas, ainda que assim seja feito, ele continua a crescer.

Eu entendo que algumas pessoas 'ficam para trás', mas que seus 'ensinamentos' permanecem, mas não consigo aceitar o fato de que indivíduos antes tão unos, possam ser tão díspares, opostos e possuam quase que uma antipatia natural. Não consigo digerir que essas pessoas não se olhem de forma serena, boa, simples que sejam, mas que simplesmente saibam que a outra ainda existe, e tenha com ela o mínimo de empatia. Que suas presenças recordem aprendizado e ao menos amizade, carinho, respeito.

Independente de como o relacionamento se inicie, a afastamento é sempre uma pena, mas a forma, motivo e a sequência dele pode passar além da penosidade. Há pessoas que adicionam e excluem pessoas de seu convívio íntimo como se as mesmas fossem apenas um rosto no orkut, e não necessitam necessariamente de bons motivos para essa atitude. Creio que essas pessoas são confusas, e precisam confundir outros para se perceber assim, então apenas depois de ter causado ao outro aquilo que sentia, conseguem então se compreender.

Acredito que todos possuem um alguém, ou alguns alguéns com quem realmente a relação ainda que 'colegável' se torna impossível por situações que ocorreram, mas, até o fato de estas situações terem ocorrido, se oriundas de pessoas que tanto se gostavam, nos dá uma sensação de solidão, vazio, volatilidade, como se soubéssemos que todo encontro um dia vai se findar, que a tampa será aberta, e sem que percebamos simplesmente se extinguirá.



Flor de Lótus
01/12/10

Vômitos Alheios Especiais:

  • Kiko Oliveira
  • O Corvo - Maurício Oliveira
  • Issac Roberto
  • Willy Anderson
  • Diego Herbert
  • Léo Azevedo
  • Anita Talassa - Analice Leandro
  • Diogo Bezerra
  • Pedro Lima

Momento Leitura:

  • Livros e Afins
  • Adolfo Caminha: A Normalista
  • André Vianco: Bento, O Vampiro Rei 1 e 2; Os Sete; Sétimo
  • Anne Rice: A História do Ladrão de Corpos; Violino; A Hora das Bruxas 1, 2 e Lasher - Trilogia
  • Ari Denisson: baroque.doc
  • Arriete Vilela: Fantasia e Avesso; Áridas paixões, ávidos amores
  • Augusto dos Anjos: Eu e Outras Poesias
  • Bram Stocker: Drácula
  • Carlos Nealdo dos Santos: O Pianista do Silencioso
  • Charles Baudelaire: Um Comedor de Ópio; As Flores do Mal
  • Chico Buarque: Budapeste
  • Christopher Paolini: Eragon; Eldest; Brisingr (Trilogia da Herança)
  • Clarice Lispector: A Paixão Segundo G. H.; Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres; Agua Viva; A Hora da Estrela; Um Sopro de Vida; Perto do Coração Selvagem
  • Dan Brown - Código Da Vinci; Fortaleza Digital; Anjos e Domônios
  • Edgar Allan Poe: Histórias Extraordinárias
  • Elizabeth Kostova: O Historiador
  • Elton SDL: Mentalmorfose
  • Florbela Espanca: Sonetos
  • Flávio Moreira da Costa (Org.): As 100 Melhores Histórias Eróticas da Literatura Universal
  • Frank Miller: Sin City - A Cidade do Pecado
  • Gabriel Garcia Márquez: Memória de Minhas Putas Tristes
  • Goethe: Os Sofrimentos do Jovem Werther
  • J. K. Howlling: Harry Potter e A Pedra Filosofal; Harry Potter e A Câmara Secreta; Harry Potter e O Prisioneiro de Azkaban; Harry Potter e O Cálice de Fogo; Harry Potter e O Enigma do Príncipe; Harry Potter e A Ordem da Fênix; Harry Potter e As Relíquias da Morte
  • J. R. R. Tolkien: O Hobbit; O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel; O Senhor dos Anéis - As Duas Torres; O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei
  • Joao Ubaldo Ribeiro: A Casa dos Budas ditosos
  • Joe Dunthorne: Submarino
  • Jostein Gaarder: Vita brevis; O dia do Curinga; Ei! Tem Alguém Aí?; Através do Espelho; O Mundo de Sofia
  • José Saramago: O Evangelho Segundo Jesus Cristo
  • Jô Soares: O Xangô de Baker Street; O Homem que Matou Getúlio Vargas; Assassinato na Academia Brasileira de Letras
  • Júlia Maya: O Despertar da Bruxa
  • Kai Hermann e Horst Rieck (recolheram depoimentos): Eu Christiane F., 13 anos, drogada e prostituída
  • Luís Fernando Veríssimo: As Mentiras que os Homens Contam
  • Lya Luft: O Quarto Fechado; A Asa Esquerda do Anjo; Reunião de Família
  • Lêdo Ivo: Ninho de cobras
  • Machado de Assis: Memórias Póstumas de Brás Cubas; Quincas Borba
  • Marcelo Rubens Paiva: Feliz Ano Velho
  • Maria Mariana: Confissões de adolescente
  • Marion Zimmer Bradley: As Brumas de Avalon - 4 volumes; A Casa da Floresta
  • Marquês de Sade: A Filosofia na Alcova; Contos Proibidos; Justine
  • Milton Rosendo: Os Moinhos
  • Neil Gaiman: Stardust
  • Nilton Rezende: O Orvalho e os Dias
  • Oscar Wilde: O Retrato de Dorian Gray
  • Ovídio: A Arte de Amar; Remédios para o Amor
  • Pauline Réage: A história de O
  • Paulo Coelho: Brida; O Diário de um Mago; As Valquírias; Na Margem do Rio Piedra eu Sentei e Chorei; O Demônio e a Srta. Pryn; O Alquimista; Onze Minutos; A Bruxa de Portobello
  • Platão: O banquete
  • Raven Grimassi: Bruxaria
  • Roger Shattuck: O Conhecimento Proibido
  • Sade: Filosofia na Alcova; Contos Libertinos
  • Sidney Sheldon: O Reverso da Medalha; A Herdeira; Juízo Final; Nada Dura para Sempre; A Outra Face
  • Stephen Chbosky: As vantagens de ser invisível
  • Stephen King: Carrie - A Estranha; A Torre Negra Vol. I - O Pistoleiro; A Torre Negra Vol. II - A Escolha dos Três; A Torre Negra Vol. III - As Terras Devastadas; A Torre Negra Vol. IV - Mago e Vidro; A Torre Negra Vol. V - Lobos de Calla; A Torre Negra Vol. VI - Canção de Susannah; A Torre Negra Vol. VII - A Torre Negra
  • Stephenie Meyer: Crepúsculo; Lua Nova; Eclipse; Amanhecer
  • Ágatha Christie: O Assassinato de Roger Ackroyd;Assassinato no Expresso do Oriente; Morte no Nilo; Morte na Praia;Um Brinde de Cianureto; Um Corpo na Biblioteca; Cai o Pano

Indicações Musicais:

  • A Mente
  • A-Ha
  • Adriana Calcanhoto
  • Agridoce
  • Alanis Morissette
  • Amy Whinehouse
  • Audioslave
  • Cachorro Grande
  • Carla Bruni
  • Cazuza
  • Celtic Woman
  • Cerva Grátis
  • Chico Buarque
  • Cindy Lauper
  • Coeur de Pirate
  • Coldplay
  • Cris Braun
  • David Bowie
  • Emilie Simon
  • Engenheiros do Hawaii
  • Enya
  • Epica
  • Foo Fighters
  • Gato Zarolho
  • Gothic Night
  • Joni Mitchell
  • Jorge Vercilo
  • Korn
  • Lacuna Coil
  • Lana Del Rey
  • Legião Urbana
  • Lenine
  • Lisa Thiel
  • Loreena Mckennitt
  • Los Hermanos
  • Madredeus
  • Mallu Magalhães
  • Matanza
  • Mr. Freeze
  • Nando Reis
  • Nirvana
  • O Teatro Mágico
  • Oasis
  • Os Tribalistas
  • Oswaldo Montenegro
  • Pixies
  • Rita Lee
  • Roxette
  • Secos e Molhados
  • Shakira
  • Shaman
  • Tenacious D
  • The Cramberries
  • The Doors
  • The Killers
  • The Runaways
  • The Smiths
  • Tiê
  • Tuatha de Danann
  • Tulipa Ruiz
  • Wander Wildner
  • Within Temptation
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